segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Dificuldade de percepção

Dificuldade de percepção

Texto: Jó 9.11

Interessante como Jó inicia seu discurso neste capítulo trazendo a tona a soberania de Deus, sua pomposidade, sua grandeza, seu poder absoluto e controle, mas em seguida declarando que "ainda" assim por vezes não consegue notar a Deus.

Isso nos leva a considerar algumas coisas sendo a primeira delas que Deus não nos deve nenhum tipo de explicações, e a segunda e mais conectada ao contexto e estado de Jó, é que nossa dor e sofrimento por vezes levam-nos a nos distrairmos a ponto de não considerarmos o óbvio.

Fácil falar de propósitos em nossas lutas, dores e sofrimentos, difícil aceitar e interagir de maneira lúcida nessas ocasiões. A dor cala os sentidos racionais, ela bloqueia a percepção de que há um objetivo maior ou mesmo que há alguém no controle, porque para quem sofre não é suficiente dizer que Deus está no controle quando se nota que quem sofre esta totalmente descontrolado. Não há como perceber nada a não ser o rosto molhado e inchado de lágrimas, os olhos fundos e escuros por noites perdidas.

É difícil cobrar compreensão de quem tá gritando de dores. É desumano cobrar esse tipo de percepção de quem está sofrendo.

O aprendizado só pode ser alcançado depois de aplicada a lição, portanto na trajetória nada se aprende, só se sente, o aprendizado vem depois com as considerações, com a apuração. Por isso a nossa vida se associa a ciclos, no fim de cada um se manifesta nosso crescimento, por isso o tempo, os anos, as estações, dias e fases da vida. E, a necessidade de sabedoria ao fazer apontamentos.


Charly 
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Acusações, resultados de uma falsa teologia

Acusações, resultados de uma falsa teologia

Texto: Jó 8.3-6

"Está tendo exatamente o que merece..." esta é sem dúvida a mensagem de Bildade a Jó. Uma impiedosa observação. Mas, conforme comentário daewresBíblia de estudos Despertar "se sempre recebêssemos de Deus o que merecemos, todos nós seríamos de pronto destruídos".

Bildade estava em parte certo na sua teologia, mas errou na aplicação do entendimento dela. Deus mesmo testemunhou a favor de Jó, é o suficiente para entendermos que não se tratava de punição, por mais que possamos supor ajuste e aperfeiçoamento.

Percebemos a pronta acusação, a falta de misericórdia que pessoas de fora por ignorarem a soberania de Deus e propósitos, acabam por desferir contra os que sofrem os reveses da vida. 

"Não é nosso dever supor o propósito da dor de uma pessoa, mas sim oferecer conforto e assistência".

Muita das vezes o conhecimento leva-nos a exercer o juízo sobre os outros e não a colaborarmos com eles para o bem. Muitos conhecedores se tornam avaliadores da vida, como se houvesse a necessidade de nossos apontamentos e definições para o que já vem e está definido. Ao invés de procurar respostas considerando situações e circunstâncias o homem quer apenas tê-las prontas orgulhosamente para não passar por mero apreciador da vida, demonstrando de certa forma "conhecimento". Um conhecimento superficial que descarta a experiência. Não é propósito da sabedoria ter as respostas mas possuir o entendimento e compreensão a respeito delas. Não é nada inteligente padronizar o que em gênero e grau é por natureza diferenciado. Não podemos exigir que o mistério da vida seja decifrado sem querer usurpar o lugar do Criador.

Toda tentativa de sistematizar Deus e seu modus operandis é pretensão e soberba humana.

A teologia que busca respostas para tudo não é resposta para vida prática, pois não admite tempo para reflexões e mudanças próprias necessárias. Essa teologia cuida da vida alheia dificultando acesso a nossa própria necessidade de vida. É a mesma de contemporâneos de Cristo, que coavam mosquitos e engoliam camelos, que se ocupavam com ciscos nos olhos dos irmãos, tendo uma trave enorme de madeira nos próprios olhos.


Charly 
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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Desilusões

Desilusões

Texto: Jó 7.7

"... meus olhos jamais tornarão a ver a felicidade".


Pelo contexto que descreve o momento, Jó estava num estado físico deplorável; múltiplas infecções subcutâneas, bichos ou vermes acelerando a putrefação de sua pele. Há estudiosos que contam que nesse estágio da doença de Jó, ele já se encontrava isolado numa cova não muito rasa, um modo de evitar que o cheiro da corrupção de seu corpo ofendesse a seus amigos sendo levado e espalhado pelo vento no ar ambiente.

Jó percebeu desassossego, como confessado no capítulo 3 verso 25 e 26, o que exatamente temia. Percebeu a desesperança sobrepondo o novo dia. O próximo dia já perdeu o significado de "novo", agora não passava de apenas mais outro dia. Desiludido, Jó não mais podia esperar alívio.

Suas aflições chegaram até mesmo a seus sonhos, desesperado Jó considera poder ter de fato pecado, e pede misericórdia (verso 20 e 21).

A desilusão instala-se quando experimentamos condições de vida diferenciada e percebermos, concluímos, apuramos mesmo resultado. É a falta de esperança, é quando não existe mais sonhos, só restando pesadelos. Por condições de vida diferenciada me refiro a compreender que a nossa realidade não muda de dia ou de noite, acordado ou dormindo, na sobriedade da vida ou mesmo entorpecido. Não há alívio.

Salomão entendeu também isso vivendo o "melhor" da vida. Toda suntuosidade, glamour e glória não foi capaz de retirar de sobre ele, a desilusão da vaidade da vida. A falta de propósito é depressiva, o desconhecido é depressivo, a ignorância é depressiva, a incapacidade é depressiva, e tudo isso ocasiona a desilusão.

Jó passa por essa situação vivenciando os reveses, Salomão passa pela mesma situação vivenciando a fortuna. O que podemos concluir é que a desilusão advém da falta de respostas satisfatórias sobre a vida.


Charly 
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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Argumentos vazios

Argumentos vazios

Texto: Jó 7.25


" ... o que é que o vosso argumento prova?"


É necessário evidências, fatos que se podem provar, argumentações vazias são apenas discursos sem propósitos. E, discursos sem propósito não passa de conversação tola.

Jó neste exato momento está provando do seu próprio "veneno" no que diz respeito a considerações vazias a respeito da vida. Notemos que Jó era um conselheiro, homem de referência em todo o Oriente Médio da época, isto é verificável no princípio da fala de seu amigo Elifaz, e agora neste capítulo em evidência quando a informação de que sua casa era uma rota comercial na qual muitas caravanas buscavam orientação e negócios. 
Quantos conselhos vagos Jó não deveria ter dado até aqui? Considerando apenas o que a vista lhe concebia. 
Guiado por seus achismos sobre as questões, quantas definições cruéis e sentenças absurdas Jó não compartilhou com seus amigos?

Agora na posição de alvo de conselhos e considerações Jó vê o quanto estava longe da verdade a ideologia que formaram sobre a vida, o colégio de sábios da época do qual ele era o principal membro.

Sabe o que é? Aprendemos que as coisas não são bem assim como imaginamos. Que antes de qualquer sentença a imparcialidade deve entrar em campo buscando fazer com que nós nos colocamos exatamente no lugar dos alvejados pela inquirição.

Você consegue entender isso? Jó conseguiu quando teve que experimentar os reveses da vida, para só assim poder com propriedade falar, ministrar, aconselhar, discutir sobre eles.

O que tem de pessoas querendo argumentar sobre aquilo que não compreendem não esta no gibi. Jó foi um deles com certeza! Agora Jó estava noutra posição, agora podia entender os dois lados da situação, não demorando a protestar: "... vocês querem me corrigir? A mim que estou sentindo na pele todo esse desespero? Vocês não respeitam a miséria de ninguém, o órfão vocês negociam e o amigo vocês vendem. Olhem para mim, vocês me conhecem, já estive com vocês fazendo as mesmas considerações sobre outras pessoas, estou mentindo? Mudai de parecer, não sejais injustos, pois minha causa é justa. Ou acham que não posso discernir o certo do errado?"

Argumentos válidos são aqueles feitos com propriedades.


Charly
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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Estado de depressão

Estado de depressão

Texto: Jó 6 versos 1-2, 5 e 7-9

É bem notável o que o acúmulo de sofrimento ocasionou a Jó: Considerando os reveses econômicos e físicos que se abateram sobre aquele homem, vemos nestes versos em referência registrados no capítulo 6, Jó em um enorme estado de depressão.

É bom notar bem isso para não espiritualizar por demais a depressão; porque somos tendenciosos a demonizar toda enfermidade. Não estou fazendo apologia positiva de algo tão negativo como as doenças, mas, cuidando para que extremismos não roube a solução e cura de pessoas que clamam pelas mesmas.

Depressão é um estado da alma como a alegria, tristeza, paz e medo? Não. Não porque é uma anomalia. Depressão é uma anomalia decorrente  do tempo de permanência nestes estados negativos (medo e tristeza), o que faz se agravar  numa síndrome, ou melhor, numa doença psicossomática.

É natural e faz parte da vida algumas oscilações, estas oscilações é que permitem nosso desenvolvimento. Problemas são manifestos quando se permanece tempo demais em um estado ou  outro. Veja por exemplo, constante estado de paz e alegria pode nos levar ao comodismo, a preguiça, ociosidade e consequentemente a irresponsabilidade. O contrário será verdadeiro, a permanência no estado de tristeza e medo nos levará a depressão e ao pânico.

Deixa-me fazer uma ressalva porque é bem provável que você esteja murmurando aí: então, se você pensa que a "alegria e paz no Espírito Santo" que viveremos no porvir diz respeito a uma permanência neste estado assimilando ao mesmo a falta de trabalho e a ficar na farra a eternidade "inteira" você está todo errado. Na verdade você tem é uma mente medíocre e preguiçosa, muito provável que você nunca chegue neste estado, que não é nada mais que a satisfação e contentamento.

Mas voltemos a Jó: por toda aquela angústia ele se torna alguém precipitado nas palavras, talvez lhe faltasse paz para pesar as considerações e articular bem seu discurso. Jó começa inquirir absurdos; "boi reclama de barriga cheia?", acredito que aqui ele tenta fazer-se entender que não tinha a mínima ideia sobre a causa de seu sofrimento, tenta mostrar sua plena insatisfação em número e grau. Não há em Jó desejo de se alimentar, e passa a considerar a morte como um alívio. Sintomas da depressão?

Claro que sim! E um alertar para nós que nessas ocasiões, diante dessas pessoas que sofrem este tipo de situação, não atentamos para a miséria deles. Deles não terem a mínima ideia do porque estão passando por isso, e nós insensíveis atribuímos o estado deles a pecados e demônios, não somos diferentes dos amigos de Jó.

Talvez a única maneira eficaz de tirar uma pessoa de um estado de espírito é maquiando outro estado mesmo, isso a farmacologia o faz, e faz bem, tanto que faz da pessoa um dependente compulsivo.

A outra forma de maquiar um estado de espírito é transmitir, é pelo contágio, pela influência, estou dizendo é que você sã e cheio de Deus pode oferecer instantes suficientemente curativos e a própria cura para alguém que sofre ou está sofrendo do mal da depressão (Davi e Saul, nos episódios em que Davi tocava harpa aos ouvidos de Saul).

No caso de Jó era bem visível o motivo que ocasionou a depressão, a perda, o sofrimento oriundo da miséria sem motivos aparente que foi identificado e sanado no último capítulo de seu livro. Aquele ciclo se finda e dá-se início a outro contrário a perdas, e a sorte de Jó é restaurada.

Deus e pessoas vão cooperar com Jó, lembre-se disso, porque somos tendenciosos em caso como esse deixar tudo para Deus.


Charly 
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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A mais fiel consideração teológica

A mais fiel consideração teológica

Texto: Jó 4.13, 18 e 27

Agora não se trata de uma consideração aberta a discussão; é algo já definido a respeito de Deus; Interessante isso porque beira insanidade qualquer tentativa de definição a respeito de Deus. Mas vemos aqui a essência da Teologia bíblica, da verdadeira teologia que define a respeito de Deus uma das únicas proposições dignas de confiança que é "A DEUS NINGUÉM PODE DEFINIR". "Sábios são apanhados na sua astúcia" e contrariados sempre que tentam definir Aquele cuja definição exata foge a nossa compreensão, muito mais quando querem traçar seu modus operandis.

Apenas uma coisa podemos entender com verdade a respeito de Deus, Ele é soberano nas suas ações: "Pois faz a ferida e também a cura".

Pode-se discutir a soberania de Deus? Se há lugares que não se pode discutir a soberania de um simples governador!? Nós homens somos por demais pretensiosos.

Como o livro de Jó trata da questão do sofrimento humano, percebemos homens discutindo e Deus através dos próprios homens revelando que no que diz respeito a vida a última palavra é sempre a dEle.

Sei que a priori é muito profundo essa consideração, mas se torna simples quando o homem entende seu lugar na criação, no universo e no propósito Divino.


"Pode o barro dizer ao oleiro que fazes?"

Charly 
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O sofrimento é algum tipo de consequência?

O sofrimento é algum tipo de consequência?

Texto: Jó 5.1-7

"E o homem gera seu próprio sofrimento..."


Mais uma consideração filosófica sobre questões existenciais da vida. O sofrimento é apresentado como consequência direta das ações do próprio homem. A ideologia reinante sobre essa questão atravessou milênios até a manifestação de Cristo, percebemos a mesma presente no registro do evangelho de João capítulo 9 verso 1, onde os discípulos questionam: "Mestre, de quem é a culpa pelo sofrimento desse homem, dele mesmo ou de seus pais?"

Uma dedução lógica que perceberemos  não ser verdadeira. Pode algo assim? Sim! Se considerarmos propósitos mais elevados: veja o que acontece na fusão de elementos, não importa a quantidade de elementos adicionados o resultado sempre será igual a um (1+1+1+1+... = 1), percebe-se o resultado verdadeiro fugindo da lógica matemática.

"Apanhando sábios na sua própria astúcia" Deus contraria a filosofia humana desprovida da inspiração eterna, classificando-a por vã. Jesus na ocasião respondeu a seus discípulos: "nem este homem tem culpa, nem seus pais a tiveram".

Há simplesmente um propósito em tudo, a este propósito devemos estar atentos. Aperfeiçoamento, aprendizagem, experiência e capacitação, são desculpas ou motivos maiores e mais dignos para entender reveses da vida do que culpas e acusações de pecados ou erros passados.

Deus nunca se preocupou com culpados, Deus se preocupou com soluções. Deus não se preocupa com e nem aceita desculpas, Deus considera e oferece o perdão.

Sofrimento é uma crise que opera na transformação do estado humano qualquer de aperfeiçoamento.

Charly 
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